WEBRADIO KERYGMA
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terça-feira, 18 de outubro de 2011
TEOLOGIA: SUFICIÊCIA DAS ESCRITURAS
1. DEFINIÇÃO
DE SUFICIÊNCIA DAS ESCRITURAS
a.
Podemos
definir assim suficiência das Escrituras:
i. Dizer que as Escrituras são
suficientes significa dizer que a Bíblia contém todas as palavras divinas que
Deus quis dar ao seu povo em cada estágio da história da redenção e que hoje
contém todas as palavras de Deus que precisamos para a salvação, para que, de
maneira perfeita, nele possamos confiar e a ele obedecer.
2. PODEMOS
ENCONTRAR TUDO O QUE DEUS DISSE SOBRE TEMAS ESPECÍFICOS E TAMBÉM RESPOSTAS ÀS
NOSSAS PERGUNTAS
a.
Logicamente,
temos consciência de que jamais obedeceremos perfeitamente a todas as palavras
das Escrituras nesta vida (ver Tg 3.2; 1Jo 1.8-10; e o capítulo 24 abaixo).
b.
Portanto,
de início pode não parecer muito significativo dizer que tudo o que temos de
fazer é o que Deus nos ordena na Bíblia, pois de qualquer modo jamais seremos
capazes de obedecer-lhe plenamente nesta vida.
3. A
VERACIDADE DAS ESCRITURAS
a.
A
essência da autoridade das Escrituras está na sua capacidade de nos compelir a
crer nelas e a elas obedecer, fazendo que tal fé e obediência sejam
equivalentes a fé e obediência ao próprio Deus.
b.
Por
esse motivo, é necessário considerar a veracidade das Escrituras, pois crer em
todas as palavras da Bíblia implica confiança na completa veracidade das
Escrituras em que cremos.
c.
Esse
assunto foi discutido mais profundamente nas considerações que efetuamos sobre a
inerrância das Escrituras.
4. APLICAÇÕES
PRÁTICAS DA SUFICIÊNCIA DAS ESCRITURAS
a.
A
doutrina da suficiência das Escrituras tem várias aplicações práticas na vida
cristã.
b.
A
seguinte lista se pretende útil, mas não exaustiva.
i. A
suficiência das Escrituras deve-nos incentivar:
1.
A
tentar descobrir aquilo que Deus quer que pensemos (sobre uma questão
doutrinária específica) e façamos (numa dada situação).
2.
Devemos
nos convencer de que tudo o que Deus quer nos dizer sobre essa questão se
encontra nas Escrituras.
3.
Isso
não significa que a Bíblia responde a todas as dúvidas que possamos conceber,
pois “as coisas encobertas pertencem ao SENHOR, nosso Deus” (Dt 29.29).
ii. A
suficiência das Escrituras nos lembra de que não devemos acrescentar nada à
Bíblia
1.
Nem
equiparar algum outro escrito à Bíblia.
2.
Esse
princípio é violado por quase todas as seitas.
a.
Os
mórmons, por exemplo, afirmam crer na Bíblia, mas também reclamam autoridade
divina para O Livro de Mórmon.
b.
Os
seguidores da Ciência Cristã, igualmente, afirmam crer na Bíblia, mas na
prática equiparam às Escrituras o livro Science and Health With a Key to the
Scriptures [Ciência e saúde com uma chave para as Escrituras], de Mary Baker
Eddy, ou o colocam até acima da Bíblia em termos de autoridade.
3.
Como
isso viola a ordem divina de nada acrescentar às suas palavras, não devemos
pensar que encontraremos nessas obras mais palavras de Deus para nós.
iii. A
suficiência das Escrituras também nos diz que Deus não exige que creiamos em
nada sobre si mesmo ou sobre sua obra redentora que não se encontre na Bíblia.
1.
Entre
os escritos do tempo da igreja primitiva acham-se algumas coleções de supostos
dizeres de Jesus não preservados nos evangelhos.
2.
É
provável que pelo menos alguns dos “dizeres de Jesus” encontrados nesses
escritos sejam registros mais ou menos precisos de coisas que Jesus de fato
falou (embora hoje nos seja impossível determinar com um grau elevado de
probabilidade quais são esses dizeres).
iv. A
suficiência das Escrituras nos mostra que nenhuma revelação moderna de Deus
deve ser equiparada à Bíblia no tocante à autoridade.
1.
Em
vários momentos ao longo da história, e especialmente no moderno movimento
carismático, muitas pessoas já afirmaram que Deus transmitiu revelações por
meio delas para benefício da igreja.
2.
Seja
como for que avaliemos essas alegações, precisamos tomar o cuidado de jamais
permitir (na teoria ou na prática) a equiparação dessas revelações às
Escrituras.
v. Com
respeito à vida cristã, a suficiência das Escrituras nos lembra de que não
existe pecado que não seja proibido pelas Escrituras, quer explícita quer
implicitamente.
1.
Andar
na lei do Senhor é ser “irrepreensível” (Sl 119.1).
a.
Portanto,
não devemos acrescentar proibições àquelas já afirmadas nas Escrituras.
vi. A
suficiência das Escrituras também nos diz que Deus nada exige de nós que não
esteja determinado explícita ou implicitamente nas Escrituras.
1.
Isso
nos lembra que nossa busca da vontade de Deus deve-se concentrar nas
Escrituras, ou seja, não devemos buscar orientação pelas orações que peçam
alteração das circunstâncias ou dos sentimentos, ou ainda orientação direta do
Espírito Santo fora das Escrituras.
FINALIZAMOS AQUI COM ESTE ARTIGO O ESTUDO REFERENTE A MATÉRIA TEOLOGICA DE BIBLIOLOGIA.
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quinta-feira, 13 de outubro de 2011
TEOLOGIA: NECESSIDADE DAS ESCRITURAS
- A necessidade das Escrituras pode ser definida assim: dizer que as Escrituras são necessárias significa dizer que a Bíblia é necessária para conhecer o evangelho, para conservar a vida espiritual e para conhecer a vontade de Deus, mas não que seja necessária para saber que Deus existe ou para saber algo sobre o caráter e sobre as leis morais de Deus.
1. 1.A
BÍBLIA É NECESSÁRIA PARA CONHECER O EVANGELHO
a.
Em
Romanos 10.13-17, Paulo diz:
i. Porque: Todo aquele que invocar o
nome do Senhor será salvo. Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E
como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem
pregue? [...] E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de
Cristo.
b.
Essa
declaração aponta para a seguinte linha de raciocínio:
i. primeiramente supõe que o homem
precisa invocar o nome do Senhor para ser salvo.
1.
(Nos
textos paulinos em geral, bem como nesse contexto específico [ver v. 9],
“Senhor” se refere ao Senhor Jesus Cristo.)
ii. As pessoas só podem invocar o nome de
Cristo se crêem nele (ou seja, que ele é um Salvador digno de ser invocado e
que atenderá aqueles que o invocarem).
iii. As pessoas não podem crer em Cristo a
menos que tenham ouvido falar dele.
iv. Não ouvirão falar de Cristo a menos
que alguém lhes fale sobre Cristo (alguém que “pregue”).
v. A conclusão é que a fé salvadora vem
pelo ouvir (ou seja, ouvir a mensagem do evangelho), e esse ouvir a mensagem do
evangelho vem pela pregação de Cristo.
1.
Aparentemente,
a implicação é que sem ouvir a pregação do evangelho de Cristo, ninguém pode
ser salvo.
2. 2.A
BÍBLIA É NECESSÁRIA PARA SUSTENTAR A FÉ ESPIRITUAL
a.
Diz
Jesus em Mateus 4.4 (citando Dt 8.3):
i. “Não só de pão viverá o homem, mas de
toda palavra que procede da boca de Deus”.
1.
Aqui
Jesus indica que nossa vida espiritual é sustentada pela porção diária da
Palavra de Deus, assim como nossa vida física é sustentada pela porção diária
de alimento físico.
2.
Negligenciar
a leitura regular da Palavra de Deus é tão prejudicial à saúde da nossa alma
quanto o é à saúde do nosso corpo negligenciar o alimento físico.
3. 3.A
BÍBLIA É NECESSÁRIA PARA O CONHECIMENTO SEGURO DA VONTADE DE DEUS
a.
Abaixo
se argumentará que todas as pessoas nascidas na terra têm algum conhecimento da
vontade de Deus por intermédio da sua consciência.
b.
Mas
esse conhecimento é muitas vezes indistinto e não pode proporcionar certeza.
c.
Na
verdade, se não existisse a Palavra escrita de Deus, não poderíamos alcançar a
certeza da vontade de Deus por nenhum outro meio, fosse consciência, conselhos
de outras pessoas, testemunho íntimo do Espírito Santo, mudanças das
circunstâncias ou o uso da razão e do bom senso santificados.
4. 4.MAS
A BÍBLIA NÃO É NECESSÁRIA PARA SABER QUE DEUS EXISTE
a.
E
as pessoas que não lêem a Bíblia?
b.
Será
que podem obter algum conhecimento de Deus?
c.
Podem
conhecer algo sobre as leis de Deus?
i. Sim, mesmo sem a Bíblia é possível
algum conhecimento de Deus, ainda que não seja conhecimento absolutamente
seguro.
ii. As pessoas podem obter o conhecimento
de que Deus existe e de alguns dos seus atributos, simplesmente pela observação
de si mesmas e do mundo que as cerca.
iii. Diz Davi: “Os céus proclamam a glória
de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos” (Sl 19.1).
iv. Quem olha para o céu vê as provas do
infinito poder, da infinita sabedoria e mesmo da infinita beleza de Deus;
observa um majestoso testemunho da glória de Deus.
5. 5.ALÉM
DISSO, A BÍBLIA NÃO É NECESSÁRIA PARA CONHECER ALGO SOBRE O CARÁTER E SOBRE AS
LEIS MORAIS DE DEUS
a.
Paulo,
em Romanos 1, mostra que até os descrentes que não têm nenhum registro escrito
das leis de Deus mesmo assim têm na sua consciência alguma compreensão das
exigências morais de Deus.
i. Discorrendo sobre uma longa lista de
pecados (“inveja, homicídio, contenda, dolo...”);
ii. Paulo fala sobre os ímpios que os
praticam:
1.
“Ora,
conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais
coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim
procedem” (Rm 1.32).
iii. Os ímpios sabem que o seu pecado é
errado, pelo menos na maior parte dos casos.
REFERÊNCIA:
Teologia
Sistemática. Wayne Grudem, Edições Vida Nova. Parte 1 - A Doutrina da Palavra
de Deus – p. 23 – 96
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segunda-feira, 19 de setembro de 2011
TEOLOGIA: CLAREZA DAS ESCRITURAS
1.
Qualquer
pessoa que já tenha começado a ler a Bíblia seriamente percebe que algumas
partes podem ser bem facilmente entendidas, enquanto outras parecem
enigmáticas.
2.
Na
verdade, bem no início da história da igreja Pedro já lembrava aos seus
leitores que algumas partes das epístolas de Paulo eram de difícil compreensão:
“Como igualmente o nosso amado irmão
Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, ao falar acerca
destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas
quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis
deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição
deles” (2Pe 3.15-16).
3.
Precisamos
admitir, portanto, que nem todas as partes das Escrituras podem ser compreendidas
com facilidade.
a. A
BÍBLIA FREQÜENTEMENTE AFIRMA A SUA PRÓPRIA CLAREZA
i. A clareza da Bíblia e a
responsabilidade dos crentes em geral de lê-la e compreendê-la são frequentemente
enfatizadas.
1.
Todo
o povo de Israel deveria ser capaz de compreender as palavras das Escrituras, e
compreendê-las bem o bastante para diligentemente ensiná-las aos filhos.
2.
Esse
ensinamento certamente não seria mera memorização mecânica, destituída de
compreensão, pois o povo de Israel deveria discutir as palavras das Escrituras
sentado dentro de casa, nas atividades cotidianas, andando na rua, na hora de
ir para a cama ou quando se levantasse de manhã.
b. AS
QUALIDADES MORAIS E ESPIRITUAIS NECESSÁRIAS PARA A CORRETA COMPREENSÃO
i. Os autores do Novo Testamento frequentemente
afirmam que a capacidade de compreender corretamente as Escrituras é mais moral
e espiritual do que intelectual:
1.
“Ora, o homem natural não aceita as coisas do
Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas
se discernem espiritualmente” (1Co 2.14; cf. 1.18-3.4; 2Co 3.14-16; 4.3-4,
6; Hb 5.14; Tg 1.5-6; 2Pe 3.5; cf. Mc 4.11-12; Jo 7.17; 8.43).
2.
Assim,
embora os autores do Novo Testamento afirmem que a Bíblia em si está escrita
claramente, afirmam também que não será compreendida corretamente por quem não
se dispuser a receber os seus ensinamentos.
c. DEFINIÇÃO
DE CLAREZA DAS ESCRITURAS
i. Para resumir essa matéria bíblica,
podemos afirmar que a Bíblia é escrita de forma tal que todas as coisas
necessárias para nossa salvação e para nossa vida e crescimento cristão
encontram-se bem claramente expostas nas Escrituras.
1.
Embora
os teólogos às vezes definam a clareza das Escrituras de modo mais estreito
(dizendo, por exemplo, apenas que as Escrituras são claras no ensino do caminho
da salvação), os muitos textos citados acima se aplicam a vários aspectos
diferentes do ensino bíblico e não parecem sustentar nenhuma limitação com
relação a temas sobre os quais se pode dizer que as Escrituras não falam
claramente.
d. POR
QUE AS PESSOAS COMPREENDEM ERRADAMENTE AS ESCRITURAS?
i. Durante a vida de Jesus, seus
próprios discípulos às vezes demonstravam não compreender o Antigo Testamento e
os próprios ensinamentos de Cristo (ver Mt 15.16; Mc 4.10-13; 6.52; 8.14-21;
9.32; Lc 18.34; Jo 8.27; 10.6).
1.
Embora
às vezes isso se devesse ao fato de que eles simplesmente precisavam aguardar
eventos futuros da história da redenção, especialmente da vida do próprio
Cristo (ver Jo 12.16; 13.7; cf. Jo 2.22), também houve oportunidades em que
isso se deveu à sua falta de fé ou dureza de coração (Lc 24.25).
e. O
INCENTIVO PRÁTICO DERIVADO DESSA DOUTRINA
i. A doutrina da clareza das Escrituras,
portanto, tem uma implicação prática muito importante e em última instância
bastante encorajadora.
1.
Ela
nos diz que nos pontos em que há desacordo doutrinário ou ético (por exemplo,
quanto ao batismo, à predestinação ou ao governo da igreja), só há duas causas
possíveis dessas discordâncias:
a.
De
um lado, pode ser que estejamos buscando fazer afirmações sobre pontos em que
as próprias Escrituras se calam.
i. Nesses casos, devemos estar prontos a
admitir que Deus não deu resposta à nossa dúvida, aceitando as diferenças de
pontos de vista dentro da igreja.
ii. (Isso sempre ocorrerá em questões bem
práticas, como os métodos de evangelização, os estilos de ensino bíblico ou o
tamanho apropriado da igreja.)
2.
Por
outro lado, é possível que tenhamos cometido erros na nossa interpretação das
Escrituras.
a.
Isso
pode ter ocorrido porque as informações que usamos para decidir uma questão de
interpretação eram imprecisas ou incompletas.
b.
Ou
talvez porque haja alguma deficiência pessoal da nossa parte, como, por
exemplo, orgulho pessoal, ganância, falta de fé, egoísmo ou mesmo dedicação
insuficiente de tempo para ler e estudar as Escrituras com devoção.
f. O
PAPEL DOS ESTUDIOSOS
i. Diante disso, será que os estudiosos
da Bíblia e aqueles dotados de conhecimento especializado de hebraico (para o
Antigo Testamento) e grego (para o Novo Testamento) ainda têm algum papel a
desempenhar?
ii. Certamente sim, e em pelo menos
quatro áreas:
1.
Eles
podem ensinar claramente as Escrituras, transmitindo o seu conteúdo aos outros
e assim desempenhando o ofício de “mestre” mencionado no Novo Testamento (1Co
12.28; Ef 4.11).
2.
Podem
examinar novos campos de compreensão dos ensinamentos das Escrituras.
a.
Esse
exame raramente (se tanto) envolverá negação dos ensinamentos centrais que a
igreja vem sustentando ao longos dos séculos, mas muitas vezes implicará a
aplicação das Escrituras a novos aspectos da vida, respostas a perguntas
difíceis suscitadas tanto por crentes quanto por descrentes a cada novo período
da história e a contínua atividade de aperfeiçoamento e aprimoramento da
compreensão da igreja acerca de pontos específicos da interpretação de
determinados versículos ou questões doutrinárias ou éticas.
3.
Podem
defender os ensinamentos da Bíblia contra os ataques de outros estudiosos ou de
pessoas dotadas de conhecimento técnico especializado.
a.
O
papel de ensinar a Palavra de Deus às vezes implica também corrigir falsos ensinos.
b.
O
cristão precisa ser capaz não só de “exortar
pelo reto ensino” mas também de “convencer
os que o contradizem” (Tt 1.9; cf. 2Tm 2.25, “disciplinando com mansidão os que se opõem”; e Tt 2.7-8).
4.
Podem
complementar o estudo das Escrituras em prol da igreja.
a.
Os
estudiosos bíblicos muitas vezes têm treinamento que lhes permite associar os
ensinamentos das Escrituras à rica história da igreja e tornar mais precisa a
interpretação das Escrituras e mais vívido o seu significado com um maior
conhecimento das línguas e culturas nas quais a Bíblia foi escrita.
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terça-feira, 6 de setembro de 2011
TEOLOGIA: INERRÂNCIA DAS ESCRITURAS / PARTE 3B
1. O
SIGNIFICADO DE INERRÂNCIA
a.
Não
vamos repetir aqui os argumentos a respeito da autoridade das Escrituras, onde
se afirmou que todas as palavras na Bíblia são palavras de Deus e que,
portanto, não crer em alguma palavra das Escrituras ou não obedecer a ela é não
crer em Deus ou desobedecer a ele.
b.
Afirmou-se
ainda que a Bíblia ensina claramente que Deus não pode mentir nem falar com
falsidade (2Sm 7.28; Tt 1.2; Hb 6.18).
c.
Assim,
todas as palavras nas Escrituras são declaradas completamente verdadeiras e
destituídas de erros, qualquer que seja o trecho (Nm 23.19; Sl 12.6; 119.89,
96; Pv 30.5; Mt 24.35).
d.
As
palavras de Deus são, de fato, o padrão máximo da verdade (Jo 17.17).
e.
Deve-se
reconhecer que a fidedignidade absoluta no discurso é coerente com alguns
outros tipos de declaração, tais como as seguintes:
i. A Bíblia pode ser inerrante e mesmo assim
empregar a linguagem comum da fala cotidiana.
1.
Isso
diz respeito principalmente às descrições “científicas” ou “históricas” de
fatos ou eventos. A Bíblia pode falar que o sol nasce e a chuva cai porque,
pela ótica de quem fala, é exatamente isso que ocorre.
2.
Da
perspectiva de um observador postado no sol (caso fosse possível) ou em algum
ponto “fixo” hipotético no espaço, a terra gira trazendo o sol ao campo visual,
e a chuva não cai só de cima para baixo, como também de um lado para outro ou
de baixo para cima, de acordo com a direção necessária para que seja conduzida
pela gravidade até a superfície da terra.
3.
Mas
essas explicações são irremediavelmente pedantes e impossibilitariam a
comunicação normal. De acordo com a perspectiva de quem fala, o sol nasce e a
chuva cai, e essas palavras descrevem com perfeita veracidade os fenômenos
naturais observados por quem fala.
ii. A
Bíblia pode ser inerrante e mesmo assim conter citações vagas ou livres.
1.
O
jeito de uma pessoa citar as palavras de outra é um procedimento que, em grande
parte, varia de cultura para cultura.
2.
Na
cultura ocidental contemporânea, costumamos citar textualmente as palavras da
pessoa quando as colocamos entre aspas (chamamos a isso citação direta).
3.
Mas
quando empregamos a citação indireta (sem aspas), espera-se um relato preciso
limitado apenas à essência da declaração.
a.
Considere
a seguinte frase: “Elliot disse que logo estaria em casa para jantar”.
b.
A
frase não faz uma citação direta de Elliot, mas é uma expressão aceitável e
veraz do que Elliot disse ao pai: “Volto em dois minutos para comer”, apesar de
a citação indireta não conter nenhuma das palavras originais dele.
iii. É
compatível com a inerrância haver construções gramaticais incomuns ou pouco
usuais na Bíblia.
1.
Algumas
linguagens das Escrituras são elegantes e excelentes quanto ao estilo.
2.
Outros
escritos bíblicos contêm a linguagem natural do povo comum.
3.
Às
vezes isso inclui falhas em relação às “regras” aceitas de expressão gramatical
(tais como o uso de um verbo no plural onde as regras gramaticais exigiriam um
verbo no singular ou o emprego de um adjetivo feminino onde se espera um
masculino ou de uma grafia diferente de uma palavra, etc.).
4.
Essas
declarações irregulares quanto à estilística ou à gramática (encontradas
especialmente no livro de Apocalipse) não nos devem incomodar, pois não afetam
a fidedignidade das declarações em questão: uma declaração pode ser
gramaticalmente incorreta e, ainda assim, inteiramente verdadeira.
2. ALGUNS DESAFIOS ATUAIS PARA A INERRÂNCIA
a.
Nesta
seção, examinamos as principais objeções em geral levantadas contra o conceito
de inerrância.
i. A
Bíblia é a única autoridade em questões de “fé e prática”.
1.
Uma
das objeções mais frequentes é levantada pelos que dizem que o propósito das
Escrituras é ensinar-nos só em áreas que dizem respeito à “fé e prática”, ou
seja, em áreas diretamente relacionadas com nossa fé religiosa ou com nossa
conduta ética.
2.
Essa
posição abriria a possibilidade de declarações falsas nas Escrituras, por
exemplo, em outras áreas, tais como em detalhes históricos secundários ou em
fatos científicos — essas áreas, afirmam os que levantam as objeções, não dizem
respeito ao propósito da Bíblia: instruir-nos quanto ao que devemos crer e como
devemos viver.
3.
Seus
defensores muitas vezes preferem dizer que a Bíblia é “infalível”, mas hesitam em
empregar a palavra inerrante.
ii. O
termo inerrância é um exagero.
1.
Pessoas
que levantam essa segunda objeção dizem que o termo inerrância é exato demais e
que no uso comum denota um tipo de precisão científica absoluta que não devemos
atribuir às Escrituras.
2.
Além
disso, os que fazem essa objeção observam que o termo inerrância não é
empregado na própria Bíblia.
3.
Assim,
é provável que seja um termo inadequado e que não devamos insistir nele.
iii. Não
possuímos manuscritos inerrantes; portanto, é ilusório falar de uma Bíblia
inerrante.
1.
Os
que levantam essa objeção destacam o fato de que a inerrância sempre foi
atribuída aos primeiros exemplares ou aos exemplares originais dos documentos
bíblicos.
2.
Mas
nenhum deles sobreviveu: só temos cópias de cópias do que Moisés ou Paulo ou
Pedro escreveram.
3.
De
que serve, então, atribuir tamanha importância a uma doutrina que se aplica só
a manuscritos que ninguém possui?
iv. Em
detalhes secundários, os escritores bíblicos “adaptaram” suas mensagens às
idéias falsas correntes na época deles, afirmando ou ensinando tais idéias de
modo incidental.
1.
Essa
objeção à inerrância é levemente diferente da que restringe a inerrância das
Escrituras a questões de fé e prática, mas está associada a ela.
2.
Os
que defendem essa posição alegam que seria muito difícil para os autores
bíblicos se comunicarem com o povo de sua época, caso tentassem corrigir todas
as informações históricas e científicas erradas em que acreditavam seus
contemporâneos.
v. A
inerrância superestima o aspecto divino das Escrituras e negligencia o aspecto
humano.
1.
Essa
objeção mais geral é levantada pelos que alegam que os defensores da inerrância
dão tanta ênfase ao aspecto divino das Escrituras, que subestimam o aspecto
humano.
2.
Aceita-se
que a Bíblia possui um aspecto humano e outro divino e que precisamos dar a
devida atenção a ambos.
3.
Entretanto,
os que levantam essa objeção quase que invariavelmente insistem em que os
aspectos verdadeiramente “humanos” das Escrituras devem incluir a presença de
alguns erros nas Escrituras.
vi. Há
alguns erros evidentes na Bíblia.
1.
Essa
última objeção, de que há erros claros na Bíblia, é feita ou insinuada pela
maior parte dos que negam a inerrância e, para muitos deles, a convicção de que
realmente há erros nas Escrituras é um fator importante que os convence a
questionar a doutrina da inerrância.
3. PROBLEMAS
DECORRENTES DA REJEIÇÃO DA INERRÂNCIA
a.
Os
problemas advindos da rejeição da inerrância bíblica não são insignificantes e,
quando compreendemos a magnitude desses problemas, somos encorajados não só a
afirmar a inerrância, mas também a sua importância para a igreja.
b.
Alguns
dos problemas mais sérios são aqui alistados.
i. Se
rejeitarmos a inerrância, teremos de nos confrontar com um problema moral
sério:
1.
Podemos
imitar a Deus e também mentir intencionalmente em questões secundárias?
2.
Isso
se assemelha à discussão em resposta à quarta objeção acima, mas aqui se aplica
não só aos que levantam essa objeção como também de maneira mais ampla a todos
os que negam a inerrância.
3.
Efésios
5.1 nos diz que devemos ser imitadores de Deus.
4.
Mas
uma negação da inerrância que ainda defenda que as palavras das Escrituras são
inspiradas implica necessariamente que Deus nos falou inverdades
intencionalmente em algumas de suas declarações menos centrais das Escrituras.
ii. Se
rejeitarmos a inerrância, começaremos a questionar se realmente podemos confiar
em Deus em tudo que nos diz.
1.
Uma
vez convencidos de que Deus nos falou inverdades em algumas questões
secundárias das Escrituras, vamos perceber que Deus é capaz de nos falar
inverdades.
2.
Isso
terá um efeito nocivo sobre nossa capacidade de aceitar a palavra de Deus e de
confiar nele por completo ou de obedecer a ele plenamente no restante das
Escrituras.
iii. Se
rejeitarmos a inerrância, em essência, estaremos fazendo de nossa mente humana
um padrão de verdade mais elevado que a própria Palavra de Deus.
1.
Empregamos
nossa mente para julgar algumas seções da Palavra de Deus e anunciamos que
estão erradas.
2.
Mas
na prática isso significa que conhecemos a verdade com mais certeza e exatidão
que a Palavra de Deus (ou que o próprio Deus), pelo menos nessas áreas.
3.
Tal
procedimento, que faz de nossa mente um padrão mais elevado de verdade que a
Palavra de Deus, está na raiz de todo pecado intelectual.
iv. Se
rejeitarmos a inerrância, precisaremos também dizer que a Bíblia está errada
não apenas em detalhes secundários, mas também em algumas de suas doutrinas.
1.
A
negação da inerrância implica estarmos dizendo que o ensino da Bíblia sobre a
natureza das Escrituras e sobre a veracidade e fidedignidade das palavras de
Deus é também falso.
2.
Esses
detalhes não são secundários, mas questões doutrinárias centrais nas
Escrituras.
Resumo - Teologia Sistemática. Wayne Grudem, Edições Vida Nova.
Parte 1 - A Doutrina da Palavra de Deus – p. 23 – 96
Resumo - Teologia Sistemática. Wayne Grudem, Edições Vida Nova.
Parte 1 - A Doutrina da Palavra de Deus – p. 23 – 96
Referencia:
- Teologia
Sistemática. Wayne Grudem, Edições Vida Nova. Parte 1 - A Doutrina da Palavra de Deus – p. 23 – 96
ESTE ESTUDO TEOLÓGICO CONTINUA SEMANA QUE VEM.
DEUS TE FAÇA FELIZ!!!
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7 METAS DIÁRIAS DO VERDADEIRO CRISTÃO
1) Cultuar a Deus, o que inclui adoração profunda, renúncia, intercessão, leitura bíblica com meditação e, eventualmente, jejum.
2) Esforçar-se para conduzir pessoas a Cristo e, quando possível, estar em paz e comunhão com os irmãos (Hb 12.14), exceto quando estes se enquadrarem em 1 Coríntios 5.11.
3) Defender a verdade do Evangelho, mas com mansidão e temor (Fp 1.16; Gl 1.8; 1 Pe 3.15).
4) Refletir a cada momento se tem andado conforme a Palavra de Deus (Sl 119.105).
5) Estar preparado para o Arrebatamento da Igreja (1 Jo 3.1-3; 1 Ts 5.23).
6) Estar mais cheio do Espírito Santo hoje do que ontem (Ef 5.18, gr.).
7) Ler bons livros, principalmente de autores que amam a Jesus e respeitam a sua Palavra.
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