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quarta-feira, 11 de abril de 2012

DOUTRINA DE DEUS: O CARÁTER DE DEUS: ATRIBUTOS “COMUNICÁVEIS”


O Caráter de Deus: Atributos “Comunicáveis”

1.           A lista de atributos dada aqui na categoria “comunicáveis” nada tem de incomum, mas compreender a definição de cada atributo é mais importante do que ser capaz de classificá-los exatamente da maneira apresentada neste livro.
2.           Este capítulo divide os atributos “comunicáveis” de Deus em cinco categorias principais, sendo os atributos relacionados dentro de cada categoria.
3.           Desta forma os atributos descrevem o ser de Deus são:
a.          Espiritualidade.
                                         i.    As pessoas muitas vezes se perguntam do que Deus é feito.
1.   A resposta das Escrituras é que “Deus é espírito” (Jo 4.24).
2.   Essa afirmação é feita por Jesus no contexto de uma discussão com a samaritana ao lado da fonte.
3.   Assim, não devemos pensar que Deus tem tamanho ou dimensões, mesmo que infinitas (ver a discussão sobre a onipresença de Deus no capítulo anterior).
b.          Invisibilidade.
                                         i.    Ligado à espiritualidade de Deus está o fato de que Deus é invisível.
1.   Porém também precisamos falar das formas visíveis nas quais Deus se manifesta.
2.   A invisibilidade de Deus pode ser definida assim: dizer que Deus tem como atributo a invisibilidade é dizer que a essência integral de Deus, todo o seu ser espiritual, jamais poderá ser vista por nós, embora Deus se revele a nós por meio de coisas visíveis, criadas.
c.           Conhecimento (onisciência).
                                             i.               O conhecimento de Deus pode ser definido assim: Deus conhece plenamente a si mesmo e todas as coisas reais e possíveis num ato simples e eterno.
1.   A definição dada acima explica a onisciência com mais detalhes.
2.   Diz primeiro que Deus conhece plenamente a si mesmo.
3.   Trata-se de um fato espantoso, pois o próprio ser divino é infinito ou ilimitado.
d.   Sabedoria.
                                             i.               Dizer que Deus tem sabedoria significa dizer que ele sempre escolhe as melhores metas e os melhores meios para alcançar essas metas.
1.   Essa definição vai além da idéia de que Deus conhece todas as coisas, e especifica que as decisões divinas quanto ao que fará são sempre sábias, ou seja, sempre trazem os melhores resultados (do ponto de vista absoluto de Deus), e trazem esses resultados pelos melhores meios possíveis.
e.          Veracidade (e fidelidade).
                                             i.               Veracidade divina implica que ele é o Deus verdadeiro, e que todo o seu conhecimento e todas as suas palavras são ao mesmo tempo verdadeiros e o parâmetro definitivo da verdade.
1.   O termo fidedignidade, que significa “veracidade” ou “confiabilidade”, é às vezes usado como sinônimo da veracidade divina.
f.            Bondade.
                                         i.    A bondade de Deus implica que ele é o parâmetro definitivo do que é bom, e que tudo o que Deus é e faz é digno de aprovação.
1.   Nessa definição, vemos uma situação semelhante à que encontramos na definição de Deus como o Deus verdadeiro.
2.   Aqui, “bom” pode ser interpretado como “digno de aprovação”, mas ainda falta responder à seguinte pergunta: aprovação de quem?
3.   Em certo sentido, podemos dizer que qualquer coisa que seja verdadeiramente boa deve ser digna da nossa aprovação.
4.   Mas num sentido mais absoluto, não somos livres para decidir por contra própria o que é digno de aprovação e o que não o é.
5.   Em última análise, portanto, o ser e os atos de Deus são perfeitamente dignos da sua própria aprovação.
g.          Amor.
                                         i.    Dizer que Deus tem o amor como atributo é dizer que ele se doa eternamente aos outros.
1.   Essa definição interpreta o amor como uma doação de si mesmo em benefício dos outros.
2.          Esse atributo de Deus mostra que faz parte da sua natureza doar-se a fim de distribuir bênçãos ou o bem aos outros.
                                        ii.    João nos diz que “Deus é amor” (1Jo 4.8).
1.   Temos sinais de que esse atributo de Deus já existia antes da criação entre os membros da Trindade.
2.   Jesus fala ao Pai da “glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo” (Jo 17.24), indicando assim que o Pai já amava e honrava o Filho desde a eternidade.
3.   E continua até hoje, pois lemos: “O Pai ama ao Filho, e todas as coisas tem confiado às suas mãos” (Jo 3.35).
h.          Misericórdia, graça, paciência.
                                         i.    A misericórdia, a paciência e a graça divinas podem ser tidas como três atributos separados ou como aspectos particulares da bondade de Deus.
1.   As definições dadas aqui apresentam esses atributos como casos especiais da bondade de Deus quando empregada em benefício de categorias específicas de pessoas.
a.    A misericórdia de Deus é a bondade divina para com os angustiados e aflitos.
b.    A graça de Deus é a bondade divina para com os que só merecem castigo.
c.    A paciência de Deus é a bondade divina no sustar a punição daqueles que persistem no pecado por determinado tempo.
i.            Santidade.
                                         i.    Dizer que Deus tem como atributo a santidade é dizer que ele é separado do pecado e dedica-se a buscar a sua própria honra.
1.   Essa definição contém ao mesmo tempo uma qualidade relacional (separação de) e uma qualidade moral (a separação é do pecado ou do mal, e a dedicação é em prol da própria honra ou glória de Deus).
2.   A idéia de santidade, abarcando tanto a separação do mal quanto a dedicação de Deus à sua própria glória, encontra-se em várias passagens do Antigo Testamento.
j.            Paz (ou ordem).
                                         i.    Em 1Coríntios 14.33, Paulo diz: “Deus não é de confusão, e sim de paz”.
1.   Embora “paz” e “ordem” não sejam tradicionalmente classificadas como atributos divinos, Paulo aqui sugere outra qualidade que poderíamos conceber como atributo distinto de Deus.
2.   Paulo diz que os atos de Deus se caracterizam pela “paz” e não pela “desordem” (gr. akatastasia, palavra que significa “desordem, confusão, inquietude”).
k.          Retidão, justiça.
                                         i.    Em português as palavras retidão e justiça são duas palavras distintas, mas tanto no Antigo Testamento hebraico quanto no Novo Testamento grego, só há uma palavra por trás desses dois termos.
1.   (No Antigo Testamento, esses termos traduzem principalmente as várias formas da palavra tsedek e, no Novo Testamento, as várias formas da palavra dikaios).
2.   Portanto, consideraremos que esses dois termos designam um único atributo divino.
l.            Zelo.
                                         i.    Tem o significado de estar alguém profundamente comprometido com a busca da honra ou do bem-estar de outrem ou de si mesmo.
1.   Diz Paulo aos coríntios: “Zelo por vós com zelo de Deus” (2Co 11.2).
2.   Aqui o sentido é “empenhado na proteção e na vigília”.
                                        ii.    As Escrituras apresentam-nos um Deus zeloso, nesse sentido do termo.
1.   Ele contínua e sinceramente busca proteger a sua própria honra. Ordena que seu povo não se prostre perante ídolos, nem os sirva, dizendo: “... porque eu sou o Senhor, teu Deus, Deus zeloso” (Êx 20.5).
m.        Ira.
                                         i.    Talvez nos surpreenda perceber que a Bíblia fala com muita frequência da ira de Deus.
1.   Porém, se Deus ama tudo o que é certo e bom, e tudo o que se conforma ao seu caráter moral, então não deve admirar que ele odeie tudo o que se opõe ao seu caráter moral.
2.   A ira de Deus diante do pecado está portanto intimamente associada à santidade e à justiça de Deus.
3.   A ira de Deus pode ser definida assim: dizer que a ira é atributo de Deus é dizer que ele odeia intensamente todo o pecado.
n.          Vontade.
                                             i.               A vontade de Deus é o atributo por meio do qual ele aprova e decide executar todo ato necessário para a existência e para a atividade de si mesmo e de toda a criação.
1.   Essa definição indica que a vontade de Deus tem que ver com a decisão e com a aprovação das coisas que Deus é e faz.
2.   Envolve as escolhas divinas do que fazer e do que não fazer.
a.    A vontade de Deus em geral. As Escrituras freqüentemente indicam a vontade de Deus como razão definitiva ou absoluta para qualquer coisa que acontece. Paulo se refere a Deus como aquele “que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11).
b.    Distinções nos aspectos da vontade de Deus:
                                                                                         i.    vontade necessária e vontade livre. Algumas distinções já traçadas no passado podem-nos ajudar a compreender diversos aspectos da vontade de Deus. Assim como podemos querer ou escolher algo com anseio ou relutância, com alegria ou arrependimento, em segredo ou publicamente, também Deus, na infinita grandeza da sua personalidade, é capaz de querer coisas diferentes de modos diversos.
                                                                                        ii.    Vontade secreta e vontade revelada. Outra distinção proveitosa aplicada aos diferentes aspectos da vontade divina é a que se faz entre a vontade secreta e a vontade revelada de Deus. Mesmo na nossa experiência sabemos que somos capazes de desejar algumas coisas secretamente, e só mais tarde revelar essa vontade aos outros. Às vezes contamos aos outros antes que a coisa desejada surja ou aconteça; noutras vezes revelamos o segredo só quando o acontecimento desejado já ocorreu.
o.          Liberdade.
                                         i.    A liberdade de Deus é o atributo por meio do qual ele faz o que lhe apraz.
1.   Essa definição implica que nada em toda a criação pode impedir que Deus execute a sua vontade.
a.    Esse atributo de Deus está portanto intimamente associado à sua vontade e ao seu poder.
b.    Mas esse aspecto da liberdade concentra-se no fato de Deus não se ver cerceado por nada que lhe seja exterior e de ser ele livre para fazer o que desejar.
c.    Não há pessoa ou força que possa ditar a Deus o que fazer.
d.   Ele não está debaixo de nenhuma autoridade nem de nenhuma limitação exterior.
p.          Onipotência (poder, soberania).
                                         i.    A onipotência é o atributo de Deus que lhe permite fazer tudo o que for da sua santa vontade.
1.   A palavra onipotência vem de dois termos latinos, omni, “todo”, e potens, “poderoso”, significando portanto “todo-poderoso”.
2.   Enquanto a liberdade de Deus se refere ao fato de não haver constrangimentos exteriores às decisões de Deus, a onipotência divina refere-se ao seu próprio poder de fazer o que decidir fazer.
q.          Perfeição.
                                             i.               A perfeição é o atributo divino que permite que Deus possua com excelência absolutamente todas as qualidades e não careça de nenhum aspecto dessas qualidades que lhe seja desejável.
1.   É difícil decidir se isso deve ser tido como atributo isolado ou simplesmente incluído na descrição dos outros. Algumas passagens dizem que Deus é “perfeito” ou “completo”.
2.   Diz-nos Jesus: “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” (Mt 5.48).
r.           Bem-aventurança.
                                         i.    Ser “bem-aventurado” ou “bendito” é ser feliz num sentido bastante pleno e magnífico.
1.   Frequentemente as Escrituras falam da bem-aventurança das pessoas que andam nos caminhos de Deus.
2.   Em 1Timóteo, porém, Paulo denomina a Deus “bendito e único Soberano” (1Tm 6.15) e fala do “evangelho da glória do Deus bendito” (1Tm 1.11).
3.   Em ambos os casos a palavra não é eulogêtos (muitas vezes traduzida como “bendito”), mas makarios (que significa “feliz”).
s.           Beleza.
                                         i.    A beleza é o atributo divino por meio do qual Deus se revela a soma de todas as qualidades desejáveis.
1.   Esse atributo divino está implícito em vários dos atributos anteriores e é especialmente associado à perfeição de Deus.
a.    Porém, a perfeição de Deus foi definida de uma forma que mostra que ele não carece de nada que lhe seria desejável.
b.    Este atributo, a beleza, se define de uma maneira positiva, para mostrar que Deus de fato possui todas as qualidades desejáveis: “perfeição” significa que Deus não carece de nada desejável; “beleza” significa que Deus tem tudo o que é desejável.
c.    São duas formas diferentes de declarar a mesma verdade.
t.           Glória.
                                         i.    Num dos seus sentidos a palavra glória significa simplesmente “honra” ou “reputação excelente”.
1.   Esse é o significado do termo em Isaías 43.7, em que Deus fala dos seus filhos, “que criei para minha glória”, ou em Romanos 3.23, que diz que “todos pecaram e carecem da glória de Deus”.
a.    Noutro sentido, a “glória” de Deus significa a clara luz que circunda a presença de Deus.
b.    Como Deus é espírito, e não energia nem matéria, essa luz visível não faz parte do ser divino, mas é algo criado.
c.    Podemos defini-la assim: a glória de Deus é o brilho criado que circunda a revelação do próprio Deus.
REFERENCIA
Teologia Sistemática. Wayne Grudem, Edições Vida Nova. Parte 2 - A Doutrina de Deus – p. 98 – 359

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

DEUS: O Caráter de Deus: Atributos “Incomunicáveis”


O Caráter de Deus: Atributos “Incomunicáveis”

1.   Introdução ao estudo do Caráter de Deus
a.    Classificação dos atributos de Deus.
                                 i.    Quando falamos sobre o caráter de Deus, percebemos que não podemos dizer ao mesmo tempo tudo o que a Bíblia nos ensina sobre o caráter dele.
                                ii.    Os atributos chamados “incomunicáveis” têm sua melhor definição quando dizemos que são os atributos divinos de que menos participamos.
1.   Nenhum dos atributos incomunicáveis de Deus deixa de ter alguma semelhança no caráter dos seres humanos.
                               iii.    Vamos usar então as duas categorias de atributos, “incomunicáveis” e “comunicáveis”, com plena consciência porém de que não são classificações absolutamente precisas e de que existe na realidade muita sobreposição entre elas.
b.    Os nomes de Deus nas Escrituras.
                                 i.    Na Bíblia o nome de uma pessoa é uma descrição do seu caráter.
1.   Da mesma forma, os nomes bíblicos de Deus são diversas descrições do seu caráter.
2.   Em certo sentido, todas essas expressões do caráter de Deus em termos de coisas encontráveis no universo são “nomes” de Deus, pois nos dizem algo verdadeiro sobre ele.
                                ii.    Usando um termo mais técnico, podemos dizer que em tudo o que as Escrituras dizem a respeito de Deus usa-se linguagem antropomórfica — ou seja, linguagem que fala de Deus em termos humanos.
1.   Cada descrição de cada um dos atributos divinos deve ser compreendida à luz de tudo o mais que as Escrituras nos dizem sobre Deus.
2.   Se não nos lembrarmos disso, inevitavelmente compreenderemos erradamente o caráter de Deus.
                               iii.    Existe ainda uma terceira razão para destacar a grande diversidade de descrições de Deus tiradas da experiência humana e do mundo natural.
1.   Essa linguagem deve-nos lembrar de que Deus criou o universo para que este revelasse a excelência do caráter divino, ou seja, para que revelasse a glória divina.
                              iv.    A compreensão do caráter divino segundo as Escrituras deve abrir nossos olhos e nos permitir interpretar corretamente a criação.
1.   É preciso lembrar que, embora tudo o que as Escrituras nos dizem sobre Deus seja verdadeiro, não é exaustivo.
2.   Deus tem muitos nomes porque conhecemos muitas descrições verdadeiras do seu caráter com base nas Escrituras; mas Deus não tem nome nenhum, pois jamais poderemos descrever ou compreender a plenitude do seu caráter.
c.    Definições equilibradas dos atributos incomunicáveis de Deus.
                                 i.    Os atributos incomunicáveis de Deus são talvez os mais fáceis de compreender equivocadamente, talvez porque representam aspectos do caráter divino menos familiares à nossa experiência.
1.   A primeira parte define o atributo em discussão/
2.   A segunda procura evitar a compreensão equivocada do atributo, expondo um aspecto de equilíbrio ou contrário associado a esse atributo.
a.    A imutabilidade de Deus, por exemplo, é definida assim: “Deus é imutável no seu ser, nas suas perfeições, nos seus propósitos e nas suas promessas; porém, Deus age, e age de modos diversos diante de situações diferentes”.
b.    A segunda metade da definição procura evitar a idéia de que imutabilidade significa incapacidade total de ação.
c.    Alguns de fato entendem assim a imutabilidade, mas tal compreensão é incompatível com a apresentação bíblica da imutabilidade de Deus.
2.   Quais são os atributos incomunicáveis de Deus:
a.    Independência.
                                 i.    Deus não precisa de nós nem do restante da criação para nada; porém, tanto nós quanto o restante da criação podemos glorificá-lo e dar-lhe alegria.
1.   Esse atributo de Deus é às vezes chamado existência autônoma ou aseidade (das palavras latinas a se, que significam “de si mesmo”).
2.   Deus é absolutamente independente e auto-suficiente.
b.    Imutabilidade.
                                 i.    Deus é imutável no seu ser, nas suas perfeições, nos seus propósitos e nas suas promessas; porém, Deus age e sente emoções, e age e sente de modos diversos diante de situações diferentes.
                                ii.    Esse atributo de Deus é também chamado inalterabilidade.
1.   Evidências nas Escrituras: no salmo 102, encontramos um contraste entre coisas que podemos julgar permanentes, como a terra ou os céus, de um lado, e Deus, do outro.
a.    Deus existia antes da criação dos céus e da terra e existirá muito depois da destruição dessas coisas.
b.    Deus faz mudar o universo, mas, contrastando com essa mudança, ele é “o mesmo”.
2.   Será que Deus às vezes muda de idéia? Se, porém, falamos que Deus é imutável nos seus propósitos, surpreendemo-nos intrigados diante de passagens bíblicas em que Deus diz que julgaria o seu povo, mas depois, por causa de orações ou do arrependimento do povo (ou ambas as coisas), acaba-se apiedando e não condena como dissera que o faria.
3.   A questão da impassibilidade de Deus. Às vezes, discutindo os atributos divinos, os teólogos falam noutro atributo, a saber, a impassibilidade de Deus.
a.    Esse atributo, se verdadeiro, significaria que Deus não tem paixões nem emoções, mas é “impassível”, não sujeito a paixões.
4.   O desafio da teologia do processo. A imutabilidade de Deus tem sido negada frequentemente nos últimos anos pelos defensores da teologia do processo, uma posição teológica que afirma que o processo e a mudança são aspectos essenciais da existência genuína, e que portanto, Deus também deve necessariamente mudar com o tempo, como qualquer outra coisa que existe.
5.   Deus é ao mesmo tempo infinito e pessoal. Nossa discussão da teologia do processo ilustra uma diferença comum entre o cristianismo bíblico e todos os outros sistemas teológicos.
a.    No ensinamento da Bíblia, Deus é ao mesmo tempo infinito e pessoal: ele é infinito porque não está sujeito a nenhuma das limitações da humanidade, ou da criação em geral.
b.    É bem maior do que qualquer coisa que tenha feito, bem maior do que qualquer coisa que exista.
6.   A importância da imutabilidade de Deus.
a.    De início pode não parecer muito importante para nós afirmar a imutabilidade de Deus.
b.    A ideia é tão abstrata que talvez não percebamos imediatamente a sua importância.
c.    Mas a importância dessa doutrina ficaria mais clara se parássemos um instante para imaginar o que aconteceria se Deus pudesse mudar.
c.    Eternidade.
                                 i.    A eternidade de Deus pode ser definida assim: Deus não tem princípio nem fim nem sucessão de momentos no seu próprio ser, e percebe todo o tempo com igual realismo; ele, porém, percebe os acontecimentos no tempo e age no tempo.
                                ii.    Às vezes essa doutrina é chamada doutrina da infinitude de Deus com respeito ao tempo.
                               iii.    Ser “infinito” é ser “ilimitado”, e a doutrina ensina que o tempo não impõe limites a Deus.
1.   Deus é eterno no seu próprio ser. O fato de Deus não ter princípio nem fim está explícito em Salmos 90.2: “Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus”.
a.    Do mesmo modo, em Jó 36.26, Eliú diz sobre Deus: “... o número dos seus anos não se pode calcular”.
b.    A eternidade de Deus é também afirmada por passagens que abordam o fato de que Deus sempre é ou existe.
c.    Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-poderoso” (Ap 1.8; cf. 4.8).
2.   Deus percebe todo o tempo com igual realismo. É em certo sentido mais fácil para nós compreender que Deus percebe todo o tempo com igual realismo.
a.    Lemos em Salmos 90.4: “Pois mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem que se foi e como a vigília da noite”.
3.   Deus percebe os acontecimentos no tempo e age no tempo. Todavia, dito isso, para evitar uma compreensão equivocada é preciso completar a definição da eternidade de Deus: “... ele, porém, percebe os acontecimentos no tempo e age no tempo”. Paulo escreve: “... vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei” (Gl 4.4-5).
4.   Sempre existiremos no tempo. Será que algum dia participaremos da eternidade de Deus? Especificamente, no novo céu e na nova terra que hão de vir, será que o tempo ainda existirá? Alguns supõem que não.
a.    E lemos nas Escrituras: “A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada [...] porque, nela, não haverá noite” (Ap 21.23, 25; cf. 22.5).
d.    Onipresença.
                                 i.    Assim como Deus é ilimitado ou infinito com respeito ao tempo, também é ilimitado com respeito ao espaço.
                                ii.    Essa característica da natureza de Deus é chamada onipresença divina (o prefixo latino o[m]ni- significa “tudo”).
                               iii.    A onipresença de Deus pode ser assim definida: Deus não tem tamanho nem dimensões espaciais e está presente em cada ponto do espaço com todo o seu ser; ele, porém, age de modos diversos em lugares diferentes.
1.   Deus está presente em todo lugar. Há, porém, determinadas passagens que falam da presença de Deus em toda parte do espaço.
a.    Lemos em Jeremias: “Acaso, sou Deus apenas de perto, diz o SENHOR, e não também de longe? Ocultar-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? — diz o SENHOR; porventura, não encho eu os céus e a terra? — diz o SENHOR” (Jr 23.23-24).
b.    Deus aqui repreende os profetas que pensam que suas palavras ou pensamentos ficam ocultos de Deus. Ele está em todo lugar e enche o céu e a terra.
2.   Deus não tem dimensões espaciais. Embora para nós pareça necessário dizer que todo o ser de Deus está presente em toda parte do espaço, ou em cada ponto do espaço, é também necessário dizer que Deus não pode ser contido por espaço nenhum, por maior que seja.
a.    Salomão diz na sua oração a Deus: “Mas, de fato, habitaria Deus na terra? Eis que os céus e até o céu dos céus não te podem conter, quanto menos esta casa que eu edifiquei” (1Rs 8.27).
3.   Deus pode estar presente para punir, sustentar ou abençoar. A idéia da onipresença de Deus às vezes perturba as pessoas, que se perguntam como Deus pode estar presente, por exemplo, no inferno.
a.    De fato, não é o inferno o oposto da presença de Deus, ou a ausência de Deus?
b.    A dificuldade pode ser resolvida pela percepção de que Deus está presente de modos diversos em lugares diferentes, ou de que Deus age diferentemente em locais distintos da sua criação.
e.    Unidade.
                                 i.    A unidade de Deus pode ser definida desta forma: Deus não está dividido em partes; porém percebemos atributos diversos de Deus enfatizados em momentos diferentes.
1.   Esse atributo de Deus é também denominado simplicidade divina, empregando simples no sentido menos comum de “não complexo” ou “não composto de partes”.
2.   Mas como a palavra simples hoje tem o sentido mais comum de “fácil de compreender” e “simplório ou insensato”, é mais proveitoso agora falar da “unidade” de Deus em vez da sua “simplicidade”.
REFERENCIA
Teologia Sistemática. Wayne Grudem, Edições Vida Nova. Parte 2 - A Doutrina de Deus – p. 98 – 359

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7 METAS DIÁRIAS DO VERDADEIRO CRISTÃO

1) Cultuar a Deus, o que inclui adoração profunda, renúncia, intercessão, leitura bíblica com meditação e, eventualmente, jejum.
2) Esforçar-se para conduzir pessoas a Cristo e, quando possível, estar em paz e comunhão com os irmãos (Hb 12.14), exceto quando estes se enquadrarem em 1 Coríntios 5.11.
3) Defender a verdade do Evangelho, mas com mansidão e temor (Fp 1.16; Gl 1.8; 1 Pe 3.15).
4) Refletir a cada momento se tem andado conforme a Palavra de Deus (Sl 119.105).
5) Estar preparado para o Arrebatamento da Igreja (1 Jo 3.1-3; 1 Ts 5.23).
6) Estar mais cheio do Espírito Santo hoje do que ontem (Ef 5.18, gr.).
7) Ler bons livros, principalmente de autores que amam a Jesus e respeitam a sua Palavra.

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