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quarta-feira, 11 de abril de 2012
DOUTRINA DE DEUS: O CARÁTER DE DEUS: ATRIBUTOS “COMUNICÁVEIS”
O Caráter de Deus: Atributos “Comunicáveis”
1.
A lista de atributos dada aqui na categoria
“comunicáveis” nada tem de incomum, mas compreender a definição de cada
atributo é mais importante do que ser capaz de classificá-los exatamente da
maneira apresentada neste livro.
2.
Este capítulo divide os atributos
“comunicáveis” de Deus em cinco categorias principais, sendo os atributos
relacionados dentro de cada categoria.
a.
Espiritualidade.
i. As
pessoas muitas vezes se perguntam do que Deus é feito.
1.
A resposta das Escrituras é que “Deus é
espírito” (Jo 4.24).
2.
Essa afirmação é feita por Jesus no
contexto de uma discussão com a samaritana ao lado da fonte.
3.
Assim, não
devemos pensar que Deus tem tamanho
ou dimensões, mesmo que infinitas
(ver a discussão sobre a onipresença de Deus no capítulo anterior).
b.
Invisibilidade.
i. Ligado
à espiritualidade de Deus está o fato de que Deus é invisível.
1.
Porém também precisamos falar das formas
visíveis nas quais Deus se manifesta.
2.
A invisibilidade de Deus pode ser definida
assim: dizer que Deus tem como atributo a
invisibilidade é dizer que a essência integral de Deus, todo o seu ser
espiritual, jamais poderá ser vista por nós, embora Deus se revele a nós por
meio de coisas visíveis, criadas.
c.
Conhecimento
(onisciência).
i.
O conhecimento de Deus pode ser definido
assim: Deus conhece plenamente a si mesmo
e todas as coisas reais e possíveis num ato simples e eterno.
1.
A definição dada acima explica a
onisciência com mais detalhes.
2.
Diz primeiro que Deus conhece plenamente a
si mesmo.
d.
Sabedoria.
i.
Dizer
que Deus tem sabedoria significa dizer que ele sempre escolhe as melhores metas
e os melhores meios para alcançar essas metas.
1.
Essa definição vai além da idéia de que
Deus conhece todas as coisas, e especifica que as decisões divinas quanto ao
que fará são sempre sábias, ou seja, sempre trazem os melhores resultados (do
ponto de vista absoluto de Deus), e trazem esses resultados pelos melhores
meios possíveis.
e.
Veracidade
(e fidelidade).
i.
Veracidade
divina implica que ele é o Deus verdadeiro, e que todo o seu conhecimento e
todas as suas palavras são ao mesmo tempo verdadeiros e o parâmetro definitivo
da verdade.
1.
O termo fidedignidade,
que significa “veracidade” ou “confiabilidade”, é às vezes usado como sinônimo
da veracidade divina.
f.
Bondade.
i. A bondade de Deus implica que ele é o
parâmetro definitivo do que é bom, e que tudo o que Deus é e faz é digno de
aprovação.
1.
Nessa definição, vemos uma situação
semelhante à que encontramos na definição de Deus como o Deus verdadeiro.
2.
Aqui, “bom” pode ser interpretado como
“digno de aprovação”, mas ainda falta responder à seguinte pergunta: aprovação
de quem?
3.
Em certo sentido, podemos dizer que qualquer
coisa que seja verdadeiramente boa deve ser digna da nossa aprovação.
4.
Mas num sentido mais absoluto, não somos
livres para decidir por contra própria o que é digno de aprovação e o que não o
é.
5.
Em última análise, portanto, o ser e os
atos de Deus são perfeitamente dignos da sua própria aprovação.
g.
Amor.
i. Dizer que Deus tem o amor como
atributo é dizer que ele se doa eternamente aos outros.
1.
Essa definição interpreta o amor como uma
doação de si mesmo em benefício dos outros.
2.
Esse atributo de Deus mostra que faz parte
da sua natureza doar-se a fim de distribuir bênçãos ou o bem aos outros.
ii. João
nos diz que “Deus é amor” (1Jo 4.8).
1.
Temos sinais de que esse atributo de Deus
já existia antes da criação entre os membros da Trindade.
2.
Jesus fala ao Pai da “glória que me
conferiste, porque me amaste antes da
fundação do mundo” (Jo 17.24), indicando assim que o Pai já amava e honrava
o Filho desde a eternidade.
3.
E continua até hoje, pois lemos: “O Pai ama
ao Filho, e todas as coisas tem confiado às suas mãos” (Jo 3.35).
h.
Misericórdia,
graça, paciência.
i. A
misericórdia, a paciência e a graça divinas podem ser tidas como três atributos
separados ou como aspectos particulares da bondade de Deus.
1.
As definições dadas aqui apresentam esses
atributos como casos especiais da bondade de Deus quando empregada em benefício
de categorias específicas de pessoas.
a.
A misericórdia
de Deus é a bondade divina para com os angustiados e aflitos.
b.
A graça
de Deus é a bondade divina para com os que só merecem castigo.
c.
A paciência
de Deus é a bondade divina no sustar a punição daqueles que persistem no pecado
por determinado tempo.
i.
Santidade.
i. Dizer que Deus tem como atributo a
santidade é dizer que ele é separado do pecado e dedica-se a buscar a sua
própria honra.
1.
Essa definição contém ao mesmo tempo uma
qualidade relacional (separação de) e uma qualidade moral (a separação é do
pecado ou do mal, e a dedicação é em prol da própria honra ou glória de Deus).
2.
A idéia de santidade, abarcando tanto a
separação do mal quanto a dedicação de Deus à sua própria glória, encontra-se
em várias passagens do Antigo Testamento.
j.
Paz
(ou ordem).
i. Em
1Coríntios 14.33, Paulo diz: “Deus não é de confusão, e sim de paz”.
1.
Embora “paz” e “ordem” não sejam
tradicionalmente classificadas como atributos divinos, Paulo aqui sugere outra
qualidade que poderíamos conceber como atributo distinto de Deus.
2.
Paulo diz que os atos de Deus se
caracterizam pela “paz” e não pela “desordem” (gr. akatastasia, palavra que significa “desordem, confusão,
inquietude”).
k.
Retidão,
justiça.
i. Em
português as palavras retidão e justiça são duas palavras distintas, mas
tanto no Antigo Testamento hebraico quanto no Novo Testamento grego, só há uma
palavra por trás desses dois termos.
1.
(No Antigo Testamento, esses termos
traduzem principalmente as várias formas da palavra tsedek e, no Novo Testamento, as várias formas da palavra dikaios).
l.
Zelo.
i. Tem
o significado de estar alguém profundamente comprometido com a busca da honra
ou do bem-estar de outrem ou de si mesmo.
1.
Diz Paulo aos coríntios: “Zelo por vós com
zelo de Deus” (2Co 11.2).
2.
Aqui o sentido é “empenhado na proteção e
na vigília”.
ii. As
Escrituras apresentam-nos um Deus zeloso, nesse sentido do termo.
1.
Ele contínua e sinceramente busca proteger
a sua própria honra. Ordena que seu povo não se prostre perante ídolos, nem os
sirva, dizendo: “... porque eu sou o Senhor,
teu Deus, Deus zeloso” (Êx 20.5).
m.
Ira.
i. Talvez
nos surpreenda perceber que a Bíblia fala com muita frequência da ira de Deus.
1. Porém,
se Deus ama tudo o que é certo e bom, e tudo o que se conforma ao seu caráter
moral, então não deve admirar que ele odeie tudo o que se opõe ao seu caráter
moral.
2. A
ira de Deus diante do pecado está portanto intimamente associada à santidade e
à justiça de Deus.
3. A
ira de Deus pode ser definida assim: dizer
que a ira é atributo de Deus é dizer que ele odeia intensamente todo o pecado.
n.
Vontade.
i.
A
vontade de Deus é o atributo por meio do qual ele aprova e decide executar todo
ato necessário para a existência e para a atividade de si mesmo e de toda a
criação.
1.
Essa definição indica que a vontade de Deus
tem que ver com a decisão e com a aprovação das coisas que Deus é e faz.
2.
Envolve as escolhas divinas do que fazer e
do que não fazer.
a.
A vontade de Deus em geral.
As Escrituras freqüentemente indicam a vontade de Deus como razão definitiva ou
absoluta para qualquer coisa que acontece. Paulo se refere a Deus como aquele
“que faz todas as coisas conforme o
conselho da sua vontade” (Ef 1.11).
b.
Distinções nos aspectos da vontade de
Deus:
i. vontade
necessária e vontade livre. Algumas distinções já traçadas no passado podem-nos
ajudar a compreender diversos aspectos da vontade de Deus. Assim como podemos querer
ou escolher algo com anseio ou relutância, com alegria ou arrependimento, em
segredo ou publicamente, também Deus, na infinita grandeza da sua
personalidade, é capaz de querer coisas diferentes de modos diversos.
ii. Vontade
secreta e vontade revelada. Outra distinção proveitosa aplicada aos diferentes
aspectos da vontade divina é a que se faz entre a vontade secreta e a vontade
revelada de Deus. Mesmo na nossa experiência sabemos que somos capazes de
desejar algumas coisas secretamente, e só mais tarde revelar essa vontade aos
outros. Às vezes contamos aos outros antes que a coisa desejada surja ou
aconteça; noutras vezes revelamos o segredo só quando o acontecimento desejado
já ocorreu.
o.
Liberdade.
i. A liberdade de Deus é o atributo por
meio do qual ele faz o que lhe apraz.
1.
Essa definição implica que nada em toda a
criação pode impedir que Deus execute a sua vontade.
a.
Esse atributo de Deus está portanto
intimamente associado à sua vontade e ao seu poder.
b.
Mas esse aspecto da liberdade concentra-se
no fato de Deus não se ver cerceado por nada que lhe seja exterior e de ser ele
livre para fazer o que desejar.
c.
Não há pessoa ou força que possa ditar a
Deus o que fazer.
p.
Onipotência
(poder, soberania).
i. A onipotência é o atributo de Deus que
lhe permite fazer tudo o que for da sua santa vontade.
1.
A palavra onipotência vem de dois termos latinos, omni, “todo”, e potens, “poderoso”,
significando portanto “todo-poderoso”.
2.
Enquanto a liberdade de Deus se refere ao
fato de não haver constrangimentos exteriores às decisões de Deus, a
onipotência divina refere-se ao seu próprio poder de fazer o que decidir fazer.
q.
Perfeição.
i.
A
perfeição é o atributo divino que permite que Deus possua com excelência
absolutamente todas as qualidades e não careça de nenhum aspecto dessas
qualidades que lhe seja desejável.
1.
É difícil decidir se isso deve ser tido
como atributo isolado ou simplesmente incluído na descrição dos outros. Algumas
passagens dizem que Deus é “perfeito” ou “completo”.
r.
Bem-aventurança.
i. Ser
“bem-aventurado” ou “bendito” é ser feliz num sentido bastante pleno e
magnífico.
1.
Frequentemente as Escrituras falam da
bem-aventurança das pessoas que andam nos caminhos de Deus.
2.
Em 1Timóteo, porém, Paulo denomina a Deus “bendito e único Soberano” (1Tm 6.15) e
fala do “evangelho da glória do Deus bendito”
(1Tm 1.11).
3.
Em ambos os casos a palavra não é eulogêtos
(muitas vezes traduzida como “bendito”), mas makarios (que significa “feliz”).
s.
Beleza.
i. A beleza é o atributo divino por meio
do qual Deus se revela a soma de todas as qualidades desejáveis.
1.
Esse atributo divino está implícito em
vários dos atributos anteriores e é especialmente associado à perfeição de
Deus.
a.
Porém, a perfeição de Deus foi definida de
uma forma que mostra que ele não carece
de nada que lhe seria desejável.
b.
Este atributo, a beleza, se define de uma
maneira positiva, para mostrar que Deus de fato possui todas as qualidades
desejáveis: “perfeição” significa que Deus não carece de nada desejável;
“beleza” significa que Deus tem tudo o que é desejável.
t.
Glória.
i. Num
dos seus sentidos a palavra glória
significa simplesmente “honra” ou “reputação excelente”.
1.
Esse é o significado do termo em Isaías
43.7, em que Deus fala dos seus filhos, “que criei para minha glória”, ou em
Romanos 3.23, que diz que “todos pecaram e carecem da glória de Deus”.
a.
Noutro sentido, a “glória” de Deus
significa a clara luz que circunda a presença de Deus.
b.
Como Deus é espírito, e não energia nem
matéria, essa luz visível não faz parte do ser divino, mas é algo criado.
c.
Podemos defini-la assim: a glória de Deus é o brilho criado que
circunda a revelação do próprio Deus.
REFERENCIA
Teologia Sistemática. Wayne Grudem, Edições Vida
Nova. Parte 2 - A Doutrina de Deus – p. 98 – 359
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
DEUS: O Caráter de Deus: Atributos “Incomunicáveis”
O Caráter de Deus: Atributos “Incomunicáveis”
1.
Introdução
ao estudo do Caráter de Deus
a. Classificação dos atributos de Deus.
i. Quando
falamos sobre o caráter de Deus, percebemos que não podemos dizer ao mesmo
tempo tudo o que a Bíblia nos ensina sobre o caráter dele.
ii. Os
atributos chamados “incomunicáveis” têm sua melhor definição quando dizemos que
são os atributos divinos de que menos participamos.
1. Nenhum
dos atributos incomunicáveis de Deus deixa de ter alguma semelhança no caráter
dos seres humanos.
iii. Vamos
usar então as duas categorias de atributos, “incomunicáveis” e “comunicáveis”,
com plena consciência porém de que não são classificações absolutamente
precisas e de que existe na realidade muita sobreposição entre elas.
b.
Os nomes
de Deus nas Escrituras.
i. Na
Bíblia o nome de uma pessoa é uma descrição do seu caráter.
1.
Da mesma forma, os nomes bíblicos de Deus são
diversas descrições do seu caráter.
2. Em certo
sentido, todas essas expressões do caráter de Deus em termos de coisas
encontráveis no universo são “nomes” de Deus, pois nos dizem algo verdadeiro
sobre ele.
ii. Usando
um termo mais técnico, podemos dizer que em tudo o que as Escrituras dizem a
respeito de Deus usa-se linguagem antropomórfica — ou seja, linguagem que fala
de Deus em termos humanos.
1. Cada
descrição de cada um dos atributos divinos deve ser compreendida à luz de tudo
o mais que as Escrituras nos dizem sobre Deus.
2. Se não
nos lembrarmos disso, inevitavelmente compreenderemos erradamente o caráter de
Deus.
iii. Existe
ainda uma terceira razão para destacar a grande diversidade de descrições de
Deus tiradas da experiência humana e do mundo natural.
1. Essa
linguagem deve-nos lembrar de que Deus criou o universo para que este revelasse
a excelência do caráter divino, ou seja, para que revelasse a glória divina.
iv. A
compreensão do caráter divino segundo as Escrituras deve abrir nossos olhos e
nos permitir interpretar corretamente a criação.
1. É
preciso lembrar que, embora tudo o que as Escrituras nos dizem sobre Deus seja
verdadeiro, não é exaustivo.
2. Deus tem
muitos nomes porque conhecemos muitas descrições verdadeiras do seu caráter com
base nas Escrituras; mas Deus não tem nome nenhum, pois jamais poderemos
descrever ou compreender a plenitude do seu caráter.
c.
Definições
equilibradas dos atributos incomunicáveis de Deus.
i. Os
atributos incomunicáveis de Deus são talvez os mais fáceis de compreender
equivocadamente, talvez porque representam aspectos do caráter divino menos
familiares à nossa experiência.
1.
A primeira parte define o atributo em discussão/
2.
A segunda procura evitar a compreensão equivocada
do atributo, expondo um aspecto de equilíbrio ou contrário associado a esse atributo.
a.
A imutabilidade de Deus, por exemplo, é definida
assim: “Deus é imutável no seu ser, nas suas perfeições, nos seus propósitos e
nas suas promessas; porém, Deus age, e age de modos diversos diante de
situações diferentes”.
b.
A segunda metade da definição procura evitar a
idéia de que imutabilidade significa incapacidade total de ação.
c.
Alguns de fato entendem assim a imutabilidade, mas
tal compreensão é incompatível com a apresentação bíblica da imutabilidade de
Deus.
2. Quais
são os atributos incomunicáveis de Deus:
a.
Independência.
i. Deus não
precisa de nós nem do restante da criação para nada; porém, tanto nós quanto o
restante da criação podemos glorificá-lo e dar-lhe alegria.
1.
Esse atributo de Deus é às vezes chamado
existência autônoma ou aseidade (das palavras latinas a se, que significam “de
si mesmo”).
2.
Deus é absolutamente independente e
auto-suficiente.
b.
Imutabilidade.
i. Deus é
imutável no seu ser, nas suas perfeições, nos seus propósitos e nas suas
promessas; porém, Deus age e sente emoções, e age e sente de modos diversos
diante de situações diferentes.
ii. Esse
atributo de Deus é também chamado inalterabilidade.
1.
Evidências
nas Escrituras: no salmo 102, encontramos um contraste entre
coisas que podemos julgar permanentes, como a terra ou os céus, de um lado, e
Deus, do outro.
a.
Deus existia antes da criação dos céus e da terra
e existirá muito depois da destruição dessas coisas.
b.
Deus faz mudar o universo, mas, contrastando com
essa mudança, ele é “o mesmo”.
2.
Será que
Deus às vezes muda de idéia? Se, porém, falamos que Deus é imutável nos seus
propósitos, surpreendemo-nos intrigados diante de passagens bíblicas em que
Deus diz que julgaria o seu povo, mas depois, por causa de orações ou do
arrependimento do povo (ou ambas as coisas), acaba-se apiedando e não condena
como dissera que o faria.
3.
A
questão da impassibilidade de Deus. Às vezes, discutindo os atributos divinos, os
teólogos falam noutro atributo, a saber, a impassibilidade de Deus.
a.
Esse atributo, se verdadeiro, significaria que
Deus não tem paixões nem emoções, mas é “impassível”, não sujeito a paixões.
4.
O
desafio da teologia do processo. A imutabilidade de Deus tem sido negada frequentemente
nos últimos anos pelos defensores da teologia do processo, uma posição
teológica que afirma que o processo e a mudança são aspectos essenciais da
existência genuína, e que portanto, Deus também deve necessariamente mudar com
o tempo, como qualquer outra coisa que existe.
5.
Deus é
ao mesmo tempo infinito e pessoal. Nossa discussão da teologia do processo ilustra
uma diferença comum entre o cristianismo bíblico e todos os outros sistemas
teológicos.
a.
No ensinamento da Bíblia, Deus é ao mesmo tempo
infinito e pessoal: ele é infinito porque não está sujeito a nenhuma das
limitações da humanidade, ou da criação em geral.
b.
É bem maior do que qualquer coisa que tenha feito,
bem maior do que qualquer coisa que exista.
6.
A
importância da imutabilidade de Deus.
a.
De início pode não parecer muito importante para
nós afirmar a imutabilidade de Deus.
b.
A ideia é tão abstrata que talvez não percebamos
imediatamente a sua importância.
c.
Mas a importância dessa doutrina ficaria mais
clara se parássemos um instante para imaginar o que aconteceria se Deus pudesse
mudar.
c. Eternidade.
i. A
eternidade de Deus pode ser definida assim: Deus não tem princípio nem fim nem
sucessão de momentos no seu próprio ser, e percebe todo o tempo com igual
realismo; ele, porém, percebe os acontecimentos no tempo e age no tempo.
ii. Às vezes
essa doutrina é chamada doutrina da infinitude de Deus com respeito ao tempo.
iii. Ser
“infinito” é ser “ilimitado”, e a doutrina ensina que o tempo não impõe limites
a Deus.
1. Deus é eterno no seu próprio ser. O fato
de Deus não ter princípio nem fim está explícito em Salmos 90.2: “Antes que os montes nascessem e se formassem
a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus”.
a. Do mesmo
modo, em Jó 36.26, Eliú diz sobre Deus: “...
o número dos seus anos não se pode calcular”.
b. A
eternidade de Deus é também afirmada por passagens que abordam o fato de que
Deus sempre é ou existe.
c. “Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus,
aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-poderoso” (Ap 1.8; cf. 4.8).
2. Deus percebe todo o tempo com igual realismo. É em
certo sentido mais fácil para nós compreender que Deus percebe todo o tempo com
igual realismo.
a. Lemos em
Salmos 90.4: “Pois mil anos, aos teus
olhos, são como o dia de ontem que se foi e como a vigília da noite”.
3. Deus percebe os acontecimentos no tempo e age no
tempo. Todavia, dito isso, para evitar uma compreensão equivocada é preciso
completar a definição da eternidade de Deus: “... ele, porém, percebe os acontecimentos no tempo e age no tempo”.
Paulo escreve: “... vindo, porém, a
plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a
lei, para resgatar os que estavam sob a lei” (Gl 4.4-5).
4. Sempre existiremos no tempo. Será
que algum dia participaremos da eternidade de Deus? Especificamente, no novo
céu e na nova terra que hão de vir, será que o tempo ainda existirá? Alguns
supõem que não.
a. E lemos
nas Escrituras: “A cidade não precisa nem
do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou,
e o Cordeiro é a sua lâmpada [...] porque, nela, não haverá noite” (Ap
21.23, 25; cf. 22.5).
d.
Onipresença.
i. Assim
como Deus é ilimitado ou infinito com respeito ao tempo, também é ilimitado com
respeito ao espaço.
ii. Essa
característica da natureza de Deus é chamada onipresença divina (o prefixo
latino o[m]ni- significa “tudo”).
iii. A
onipresença de Deus pode ser assim definida: Deus não tem tamanho nem dimensões
espaciais e está presente em cada ponto do espaço com todo o seu ser; ele,
porém, age de modos diversos em lugares diferentes.
1. Deus está presente em todo lugar. Há,
porém, determinadas passagens que falam da presença de Deus em toda parte do
espaço.
a. Lemos em
Jeremias: “Acaso, sou Deus apenas de
perto, diz o SENHOR, e não também de longe? Ocultar-se-ia alguém em
esconderijos, de modo que eu não o veja? — diz o SENHOR; porventura, não encho
eu os céus e a terra? — diz o SENHOR” (Jr 23.23-24).
b. Deus
aqui repreende os profetas que pensam que suas palavras ou pensamentos ficam
ocultos de Deus. Ele está em todo lugar e enche o céu e a terra.
2. Deus não tem dimensões espaciais. Embora
para nós pareça necessário dizer que todo o ser de Deus está presente em toda
parte do espaço, ou em cada ponto do espaço, é também necessário dizer que Deus
não pode ser contido por espaço nenhum, por maior que seja.
a. Salomão
diz na sua oração a Deus: “Mas, de fato, habitaria Deus na terra? Eis que os
céus e até o céu dos céus não te podem conter, quanto menos esta casa que eu
edifiquei” (1Rs 8.27).
3. Deus pode estar presente para punir, sustentar ou
abençoar. A idéia da onipresença de Deus às vezes perturba as pessoas, que se
perguntam como Deus pode estar presente, por exemplo, no inferno.
a. De fato,
não é o inferno o oposto da presença de Deus, ou a ausência de Deus?
b. A
dificuldade pode ser resolvida pela percepção de que Deus está presente de
modos diversos em lugares diferentes, ou de que Deus age diferentemente em
locais distintos da sua criação.
e.
Unidade.
i. A
unidade de Deus pode ser definida desta forma: Deus não está dividido em
partes; porém percebemos atributos diversos de Deus enfatizados em momentos
diferentes.
1. Esse
atributo de Deus é também denominado simplicidade divina, empregando simples no
sentido menos comum de “não complexo” ou “não composto de partes”.
2. Mas como
a palavra simples hoje tem o sentido mais comum de “fácil de compreender” e
“simplório ou insensato”, é mais proveitoso agora falar da “unidade” de Deus em
vez da sua “simplicidade”.
REFERENCIA
Teologia
Sistemática. Wayne Grudem, Edições Vida Nova. Parte 2 - A Doutrina de Deus – p.
98 – 359
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7 METAS DIÁRIAS DO VERDADEIRO CRISTÃO
1) Cultuar a Deus, o que inclui adoração profunda, renúncia, intercessão, leitura bíblica com meditação e, eventualmente, jejum.
2) Esforçar-se para conduzir pessoas a Cristo e, quando possível, estar em paz e comunhão com os irmãos (Hb 12.14), exceto quando estes se enquadrarem em 1 Coríntios 5.11.
3) Defender a verdade do Evangelho, mas com mansidão e temor (Fp 1.16; Gl 1.8; 1 Pe 3.15).
4) Refletir a cada momento se tem andado conforme a Palavra de Deus (Sl 119.105).
5) Estar preparado para o Arrebatamento da Igreja (1 Jo 3.1-3; 1 Ts 5.23).
6) Estar mais cheio do Espírito Santo hoje do que ontem (Ef 5.18, gr.).
7) Ler bons livros, principalmente de autores que amam a Jesus e respeitam a sua Palavra.
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